Novidades para as futuras mamães de quarenta anos.
Posted on fevereiro 23, 2010 by Renata
Cumprindo a minha promessa, Doselene, hoje escrevo respondendo à sua dúvida. O que há de novo para as mulheres que tentam engravidar após os quarenta anos?
O adiamento da maternidade obrigou a Medicina Reprodutiva a buscar alternativas que driblassem o grande efeito negativo que a idade exerce sobre a função ovariana. Sem dúvida nenhuma, a fertilização in vitro, ou F.I.V, foi um “divisor de águas” nesse processo. Você dirá: mas o que há de novo nisso?De fato, Louise Brown já está em sua terceira década de vida, e mesmo assim engravidar aos 40 anos ainda é um desafio.
Ao longo dessas três décadas, pudemos aprimorar os esquemas de indução de ovulação. Novas drogas estimuladoras da função ovariana surgiram, mais modernas e eficazes, porém com efeito limitado quando se trata de baixa reserva ovariana, uma vez que há pouco substrato em que elas possam atuar. Então, observando-se que esquemas ultra-modernos de indução são tão ou menos eficazes que esquemas mais simples, a nova tendência é que, para mulheres após os quarenta anos, em que a baixa reserva ovariana seja estabelecida, sejamos prudentes em escolher induções mais baratas.
Ainda assim, a qualidade embrionária continua sendo um grande desafio. Sabemos que embriões vindos de óvulos (gametas femininos) de pacientes com mais de quarenta anos têm uma chance diminuída de se implantar ao útero materno. Para driblar essa dificuldade, muitas têm sido as tentativas. A mais comentada delas, sem dúvida, foi a de “rejuvenescimento” ovular, em que uma parte do citoplasma vindo de óvulos de uma paciente com menos de trinta anos era passada ao óvulo da paciente de quarenta. Como há D.N.A em algumas organelas citoplasmáticas, esses óvulos tornar-se-iam transgênicos, fato pelo qual o procedimento nunca foi aprovado para uso.
Uma técnica que tem se aprimorado muito é a de “congelamento” de óvulos e de tecido ovariano. Tem sido um processo longo e difícil estabelecer um protocolo que gere bons embriões advindos desse material criopreservado. No entanto, essa já é uma realidade, e nascimentos de bebês feitos a partir de gametas descongelados são noticiados a todo instante. Essa é uma excelente alternativa para quem acha que prevenir é melhor que remediar. Gametas mantêm a idade e a qualidade que tinham quando congelados, portanto geram embriões com maior poder de implantação.
Se prevenir já não é mais possível, então resta tentar, persistir, não desistir. O Assisted Hatching é uma técnica moderna que afina a parede do embrião, aumentando sua “adesividade” ao útero. Tem sido usada como forma de aumentar as taxas de gravidez nessa fase.
Também temos lançado mão de vários ciclos de indução, para transferência embrionária uterina única, pois, dessa maneira, podemos selecionar mais embriões de boa qualidade, o que melhora a probabilidade de implantação ao útero.
E, por fim, há a mais eficiente e igualmente mais temida ovulodoação. É uma pena que os casais sejam ainda tão resistentes a esta técnica, que utiliza gameta feminino jovem para a obtenção do embrião. É uma pena que se tenha ainda tanto preconceito no Brasil, uma vez que é indubitável que a maternidade transcende em muito possíveis questões genética.
Um grande abraço a todos. Persistam!
Renata.






